Este é um sitio onde descreverei o que ando a ler, a sentir... Tentarei a todo o custo NÃO adoptar o novo acordo ortográfico
terça-feira, 9 de julho de 2013
"A Mãe Não me Deixa Contar" de Cathy Glass
A Mãe Não Me Deixa Contar baseia-se na história real do pequeno Reece de sete anos, último retirado aos pais biológicos e encaminhado para famílias de acolhimento ao abrigo de uma ordem judicial. Cathy Glass é a sua quarta cuidadora num período de apenas um mês. O comportamento da criança revela-se desde logo agressivo, hiperativo e caótico. Cathy começa a mudar o comportamento do rapazinho à medida que vai conquistando a sua confiança, mas apesar dos seus esforços não consegue chegar às razões profundas que perturbam Reece.
A história verdadeira de um rapaz perturbado que guarda um terrível segredo.
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quarta-feira, 3 de julho de 2013
Desafio Ler em português de Portugal
"Roubando" o desafio à Andreia, vou colocando, mês a mês todos os livros que eu ler em português de Portugal:
Janeiro - Terminei "Marcelo Rebelo de Sousa" de Vítor Matos
Comecei "Inverso" de L.C.Lavado
Fevereiro - "Soberba Escuridão" de Andreia Ferreira
"Soberba Tentação" de Andreia Ferreira
Em Março e Abril portei-me mal... Não li nenhum de nenhum escritor português
Maio - "Inverno de Sombras" de L.C.Lavado
Junho - "Histórias de um Portugal Assombrado" de Vanessa Fidalgo
- "O Silêncio das Carpideiras" de Miguel Miranda
Li ainda um conto "Quiromância" de Miguel Miranda
- "Madrugada Suja" de Miguel Sousa Tavares
- "Eu, Maria Pia" de Diana de Cadaval
Julho - "Rainha D. Amélia" de José Alberto Ribeiro
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segunda-feira, 1 de julho de 2013
"Rainha D. Amélia" de José Alberto Ribeiro
«Nunca compreendi o que é que se passou no Terreiro
do Paço. Porquê tanto ódio, tanto sangue? Porque é que fizeram aquilo?
Eu que não pensava a não ser no bem do meu povo?...(...) Foi necessário
eu sofrer tanto para que vocês me amem tanto, mulheres do povo. Vós,
mulheres, viúvas como eu, que eram jovens quando eu também era jovem,
ofereceram-me flores e lágrimas… Quem sabe se quando fizer a minha
última viagem a Portugal elas me irão oferecer flores de novo?».
Amada por uns, odiada por outros, D. Amélia de
Orleães, a última rainha de Portugal, viveu num mundo em grandes
transformações políticas, sociais e culturais. Princesa de França, mas
portuguesa de coração, assistiu ao assassinato do marido e do filho,
príncipe herdeiro, a tiro de carabina em pleno Terreiro do Paço e ao fim
da monarquia num país que a havia acolhido com entusiasmo. Rumou ao
exílio primeiro em Inglaterra depois em França, viveu a Primeira Guerra
Mundial, resistiu contra a ocupação nazi, recusando deixar o país que a
acolhera e que também era seu. Contudo, apesar da tragédia que marcou o
seu quotidiano, D. Amélia orientou a sua vida pela divisa que escolheu
para si: Esperança. José Alberto Ribeiro, diretor da Casa-Museu Dr.
Anastácio Gonçalves, um apaixonado pela figura desta rainha alta e de
personalidade forte, traz-nos uma biografia reveladora de factos e
acontecimentos até agora ignorados ou silenciados sobre a sua vida. Após
anos de pesquisa em arquivos nacionais e estrangeiros, nomeadamente no
Arquivo Nacional de França, em Paris, da leitura dos diários privados da
rainha, escritos ao longo de 65 anos, desde que chegou a Portugal até
ao fim dos seus dias, o autor reconstituiu a vida e o quotidiano de D.
Amélia. Da sua infância, passando pelo seu casamento, a relação com D.
Carlos e com os filhos de quem sempre foi uma mãe extremosa, os dias
comuns e os dias de grande gala, os seus gostos, a sua curiosidade pelas
novidades da ciência, pela cultura e as suas ações de solidariedade,
passando pelos seus desencantos e tristezas, o exílio forçado, o
calvário da morte de mais um filho, D. Manuel, as questões de sucessão
do trono português, e a sua relação de correspondência com António de
Oliveira Salazar que a convida a visitar Portugal. A rainha deixou
expresso que após a sua morte estes diários deveriam ser queimados, o
que não veio acontecer. José Alberto Ribeiro foi o único historiador a
ter acesso, na sua totalidade, a estes diários, bem como a um conjunto
de imagens desconhecidas que são reproduzidas nesta biografia amplamente
ilustrada. D. Amélia morre a 25 de outubro de 1951, na sua cama gravada
com as armas de França e dos Bragança. Tinha então 86 anos. As suas
últimas palavras foram: «Levem-me para Portugal, adormeço em França mas é
em Portugal que quero dormir para sempre. No presente, Deus está
comigo.»
sexta-feira, 28 de junho de 2013
"Eu, Maria Pia" de Diana de Cadaval
Recebida em clima de grande euforia, Maria Pia foi,
48 anos depois, expulsa de um país a quem dedicou toda a sua vida.
Morria pouco tempo depois, demente, longe dos seus tempos de fausto e
opulência, mas com a secreta esperança de que a morte lhe trouxesse a
tranquilidade há tanto desejada. Diana de Cadaval traz-nos um retrato
impressionante de D. Maria Pia, rainha de Portugal. Num romance escrito
na primeira pessoa, ficamos a conhecer a trágica vida de uma princesa
italiana feita rainha com apenas catorze anos.
Excerto«Chegou a minha vez de
morrer. Como último desejo peço que me virem na direcção de Portugal, o
país que me encheu de alegria o coração de menina e me tirou tudo o que
de mais sagrado tinha quando mulher. Olhando para trás, reconheço que a
minha vida foi marcada pela tragédia. Vi partir uma mãe cedo de mais,
morria de doença e de desgosto por um marido que a traía publicamente.
Não me consegui despedir do meu pai, enterrei um marido que, com
palavras doces e promessas vãs conquistou o meu ingénuo coração e no
final me humilhou com as suas traições, um filho em quem depositava
todas as esperanças, um neto adorado, e, por fim, a minha querida
Clotilde, irmã de sangue e confidente. Claro que também tive momentos de
felicidade. Quando sonhava acordada com Clotilde, deitadas nos jardins
do Palácio de Stupigini, com príncipes e casamentos perfeitos, quando
cheguei a Lisboa e o povo gritava o meu nome, quando viajava por essa
Europa fora de braço dado com Luís, quando brincava no paço com os meus
filhos ou quando estendia as mãos para ajudar os mais necessitados,
abrindo creches e asilos. Mas mesmo nestas alturas havia quem me
apontasse o dedo. Maria Pia a gastadora, a esbanjadora do erário
público. A que dava festas majestáticas no paço, a que ia a Paris
comprar os tecidos mais caros e as jóias mais exuberantes. Não percebiam
eles que assim preenchia o vazio que, aos poucos, se ia instalando no
meu coração.»
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terça-feira, 25 de junho de 2013
"Madrugada Suja" de Miguel Sousa Tavares
Um surpreendente romance
sobre o Portugal que construímos.
Três histórias que se cruzam
desde uma aldeia deserta até ao topo do poder.
No princípio, há uma madrugada suja: uma noite de
álcool de estudantes que acaba num pesadelo que vai perseguir os seus
protagonistas durante anos.sobre o Portugal que construímos.
Três histórias que se cruzam
desde uma aldeia deserta até ao topo do poder.
Depois, há uma aldeia do interior alentejano que se vai despovoando aos poucos, até restar apenas um avô e um neto. Filipe, o neto, parte para o mundo sem esquecer a sua aldeia e tudo o que lá aprendeu. As circunstâncias do seu trabalho levam-no a tropeçar num caso de corrupção política, que vai da base até ao topo. Ele enreda-se na trama, ao mesmo tempo que esta se confunde com o seu passado esquecido.
Intercaladamente, e através de várias vozes narrativas, seguimos o destino dessa aldeia e em simultâneo o dos protagonistas daquela madrugada suja e daquela intriga política. Até que o final do dia e o raio verde venham pôr em ordem o caos aparente.
Excerto
«E agora, de volta à minha aldeia, onde a luz eléctrica chegara tarde demais para os homens, madrugada dentro, eu lia o Guerra e Paz. Numa aldeia morta, numa noite deserta, seguia, como se estivesse a ver, o esplendor dos salões de baile do Império Russo, a imensidão das estepes gélidas, os gritos de horror dos estropiados pelo fogo dos canhões de Napoleão Bonaparte, e chegava-me mais ao calor da lareira para não sentir a solidão das trincheiras de lama, húmidas, frias, desoladas, onde se abrigava o exército de Kutúsov. Alguém dissera um dia que se podia viver sem tudo, menos água e comida, mas que viver sem livros e sem música não seria o mesmo que viver.»
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